Como organizar a gestão e os processos de um provedor de internet
Resposta direta
A gestão de um provedor de internet se organiza por áreas, e cada área precisa ter os seus processos escritos: comercial, instalação, atendimento, suporte, NOC e rede, financeiro e cobrança, compras e pessoas. Em cada processo, quem faz, o passo a passo, a trava, o que fazer quando dá errado e quem decide o quê. Comece pelos três processos que mais chegam a você: quase sempre suporte N1, cobrança com bloqueio e agendamento de instalação. Depois siga área por área, na ordem das que mais interrompem você.
Por que o provedor cresce e a gestão não acompanha
Quase todo provedor nasce técnico. O dono domina a rede, monta a primeira torre, faz a primeira instalação e resolve o primeiro incidente. Enquanto a base é pequena, a gestão cabe na cabeça dele. Com mais cidade, mais torre e mais assinante, cada decisão continua passando pela mesma pessoa, e a rede cresce mais rápido do que a empresa.
Os sintomas de provedor que cresceu sem processo
- O suporte nível 2 mora na cabeça do dono. OLT caiu, backbone travou, cliente corporativo reclamou: o telefone que toca é o seu.
- Cada técnico instala de um jeito. Um confere o sinal na caixa e na ONU, outro não, e a reclamação chega na semana seguinte.
- Bloqueio e desbloqueio dependem de quem está no financeiro. Cliente antigo suspenso por um dia de atraso, inadimplente liberado por conversa.
- Desconto e retenção são decididos no balcão, sem alçada, e cada atendente oferece uma coisa.
- Os números são chutados. Cancelamento, inadimplência e margem por plano ninguém sabe dizer sem abrir três sistemas.
As áreas que todo provedor precisa ter escritas
- Comercial: venda, consulta de viabilidade antes de fechar, proposta, contrato e pós-venda.
- Instalação: agendamento, checklist de instalação, nível de sinal aceito, registro do que foi instalado e retirada de equipamento.
- Atendimento: abertura de chamado, mudança de plano, de vencimento e de endereço, e pedido de cancelamento.
- Suporte: o N1 remoto, como luz vermelha na ONU ou lentidão, e o critério para escalar ao N2 ou mandar o campo.
- NOC e rede: monitoramento, tratamento de incidente, aviso de queda à base, manutenção programada e registro do que o incidente ensinou.
- Financeiro e cobrança: faturamento, régua de cobrança, prazo de bloqueio, desbloqueio em confiança, negociação e fechamento do mês.
- Compras: estoque mínimo de ONU, cabo e conector, cotação e quem aprova até quanto.
- Pessoas: contratação, integração de quem chega, escala de plantão e desligamento com devolução de acessos.
Em cada processo, as mesmas cinco coisas: quem faz, quando acontece, o passo a passo, a trava e o que fazer quando dá errado. Veja como fazer um manual de processos e procedimentos.
O que só o dono do provedor pode definir
A maior parte de um processo de provedor é igual em qualquer provedor. O que muda são as decisões do dono, e sem elas o procedimento para no meio:
- quantos dias depois do vencimento o cliente é bloqueado, e quem pode liberar em confiança;
- qual nível de sinal é aceito para encerrar a instalação;
- a forma de cobrar, os dias de vencimento e o que se negocia;
- até quanto o atendente e o supervisor podem oferecer para reter um cliente;
- quem aprova compra, e até qual valor;
- em que situação o plantão chama o dono.
Baixar o Mapa de alçadas: quem decide o quê, até quanto
O que escrever primeiro
- Anote, durante uma semana, cada pergunta e cada chamado que chegou a você.
- Escolha três processos: os que acontecem muitas vezes, erram com frequência e, quando erram, o assinante sente. Quase sempre são suporte N1, cobrança com bloqueio e agendamento de instalação.
- Escreva uma página por procedimento junto com quem faz, com a trava e o que fazer quando dá errado.
- Defina as alçadas desses três processos: o que a pessoa decide sozinha e o que sobe, para quem.
- Teste com quem não sabe fazer. O que a pessoa perguntar é o que falta na folha.
Baixar o modelo de procedimento de uma página (POP)
Grátis e sem cadastro.
Erros comuns na gestão de provedor
- Tratar tudo como problema de rede. Parte do cancelamento e da reclamação nasce no atendimento e na cobrança. Veja cancelamento alto: problema do serviço ou da gestão.
- Esperar que o sistema de gestão decida a regra. Ele registra cliente, fatura e chamado. Quando bloquear, quem aprova desconto e qual sinal é aceito continua sendo decisão do dono, e precisa estar escrito.
- Escrever no nível técnico do dono. O procedimento é para quem faz a tarefa, na língua dessa pessoa.
- Não definir quem atualiza. Mudou o plano, mudou a régua, e o papel ficou velho. A equipe volta a perguntar para você.
Processo escrito também pesa quando a conversa é de venda ou fusão: operação documentada e números que outra pessoa lê entram no preço. Veja quanto vale a minha empresa.
A Leitura mostra o resto da empresa: dez perguntas sobre a operação, sem nota. No fim, você vê o que já está definido, o que ainda depende de você e por onde começar.
Fazer a LeituraE se a empresa inteira precisar disso?
Escrever os processos de um provedor inteiro, um por um, leva meses. No Sistema Operacional Empresarial, o manual do provedor já vem escrito: 94 processos em dez áreas, do comercial ao NOC, com quem faz, a trava e o que fazer quando dá errado em cada um. Você define o que é particular do seu provedor, como o prazo de bloqueio, o nível de sinal e a forma de cobrar, valida, e a equipe consulta pelo WhatsApp. A implantação é acompanhada e leva 60 dias. Veja o manual para provedores de internet.
O manual da sua empresa já está escrito. Falta só o que é particular dela.
Perguntas frequentes
Quais processos um provedor de internet precisa ter escritos?
Os das áreas que todo provedor tem: comercial, instalação, atendimento, suporte, NOC e rede, financeiro e cobrança, compras e pessoas. Em cada processo, quem faz, quando acontece, o passo a passo, a trava, o que fazer quando dá errado e quem decide o quê.
Por onde começar a organizar a gestão de um provedor?
Pelos três processos que mais chegam ao dono e que o assinante sente quando erram. Quase sempre são suporte N1, cobrança com bloqueio e agendamento de instalação. Depois deles, siga área por área, na ordem das que mais interrompem você.
Qual a diferença entre o sistema de gestão do provedor e o manual de processos?
O sistema de gestão registra clientes, faturas, chamados e equipamentos. O manual diz como cada tarefa é feita e quem decide o quê: quando bloquear, qual sinal aceitar, até quanto dar de desconto. Um não substitui o outro.
Quem define o prazo de bloqueio e o nível de sinal?
O dono, ou quem ele nomear para decidir. São decisões da empresa, não da equipe. Depois de definidas e escritas, a equipe aplica a mesma regra em todo caso, e a pergunta deixa de chegar a você.
Quanto tempo leva para escrever os processos de um provedor?
Depende de quantos já existem e do tempo que a equipe tem. Escrever do zero o manual de um provedor inteiro costuma levar meses. Por isso comece por três procedimentos e siga pela ordem das áreas que mais interrompem você.